Na falta de tempo para escrever algo minimamente interessante (ou que, pelo menos, não faça os leitores cortarem os pulsos devido aos preciosos minutos perdidos ao lê-lo), vou recorrer à técnica mais inteligente de todos os utilizadores de blogues: uma música bonita. Só porque dia 18 de Maio vou ouvi-la ao vivo e porque acho este álbum das melhores coisas já feitas por uma banda, já de si, fabulosa. Foi difícil escolher a música, mas esta é das minhas favoritas do Mylo Xyloto, Coldplay:
É um risco escrever um texto quando as ideias são vazias e a melancolia preenche os olhos de lágrimas. O mais provável é que saia uma bagatela piegas, que expulsará os poucos leitores que ainda restam neste espaço. Mas, escrever é terapêutico e, ainda que não tenha qualquer assunto sobre o qual dissertar e esteja com a sensação de que, amanhã, quando ler este texto, terei vontade de me esbofetear vigorosamente, tal tem um efeito mais animador do que aprender a fazer origamis nas aulas menos interessantes ou telefonar à melhor amiga que, novamente, me oferecerá uma carga de porrada digna de um telefonema à APAV, para que me possa relembrar do quão inútil é a tristeza. Com isto, o Word diz-me que a palavra “porrada” é calão e eu, mentalmente, ofereço-me para lhe mostrar o que realmente é calão. Clico na palavra e ele diz-me: “sem sugestões”. E as minhas ideias repetem: sem sugestões.
Inicia 2012, e os meus dias correm à volta do intestino. Não que esteja com diarreia ou incomodativas obstruções intestinais; são os outros que as têm, malditos, e que me obrigam a passar valiosas horas de vida em volta de capítulos do livro de anatomia, com títulos como “O reto”. E o ano começa com leituras sobre flatos e eructação, abertura de estômagos mal lavados e entusiasmo cirúrgico na remoção de uma vesícula moribunda "pregada" num fígado de porco cadavérico.
O que antes tornava as minhas conversas entusiásticas, agora resumem-nas ao silêncio, já que a mãezinha delira com corações de porco espalhados pela casa e palestras sobre veias varicosas, mas estômagos, esses não, que cheiram mal. Já não conto de modo atractivo os casos clínicos apresentados nas aulas, são de velhotes que engolem lulas com palitos e sabe-se lá onde o palito fica espetado. As pessoas estremecem e mudam de assunto, as anginas de peito não lhes causavam tais arrepios.
E é este o primeiro texto do Pseudópodes, em 2012. Que tal não seja presságio de um ano de... fezes.
Não há novo ano sem o rescaldo habitual do Pseudópodes. E até podem vir os Maias anunciar 2012 e o fim do mundo, mas se o Pseudópodes não fizer o rescaldo do ano anterior, este amua e não deixa entrar o novo. Perante tal dramática situação e beiça iminente do 2011, cedi à insistência e efectuei uma pesquisa das principais notícias que marcaram o ano transacto, dando origem a esta preciosidade:
- Janeiro: Começamos o novo ano a folhear o Diário de Notícias, sendo que no dia 1 de Janeiro é-nos apresentada a boa nova: “Lady Gaga mostra traseiro na capa do novo disco”. Vomitamos sete vezes e profetizamos: o mundo entrará numa grande crise! Não é que tínhamos razão?
- Fevereiro: “José Sócrates abre hoje Congresso das Exportações”. Esperem… José Sócrates? Quem é esse senhor?
- Março: “'Bibi' pediu desculpa a Pedroso e paga 1 cêntimo”. Esta notícia tinha que ser mencionada, sinceramente eu nem sei bem porquê, já que escrevi uma descrição para ela três vezes e apaguei-a em todas elas… digamos que é melhor não escrever nada para não difamar ninguém. Não vá ter que pagar uma indemnização de 1 cêntimo ao lesado.
- Abril: “Madeira 'escondeu' 184 milhões de euros de dívidas”. Fiquei escandalizada ao pesquisar sobre as notícias de Abril e ler tal vergonhosa informação! Mas, alguém ouviu falar disto?
- Maio: “Ajuda Externa: Soares acredita que Portugal vai ultrapassar dificuldades económicas tal como aconteceu após a revolução 1974”. Estava indecisa entre escolher esta notícia e um artigo de opinião intitulado: “Fábulas e contos de fadas”. Como são títulos muito semelhantes, acabei por escolher o que encontrei em primeiro lugar.
(Oh pah, mas porque é que o ano tem tantos meses?)
Junho: “Portugal no 'top' da destruiçãode emprego”. Escolhi esta notícia porque mostra claramente os sinais da crise que marcou 2011: até já se poupam espaços entre as palavras para não gastar espaço na página da internet. Hoje em dia, os terrenos estão muito caros!
Julho: As três primeiras notícias que vi tinham as palavras “França e Alemanha”. Passei directamente para Agosto.
Agosto: People, camone! Estamos de férias! Para quê analisar notícias?
Setembro: O quê? Portagens nas scuts?! Aumento no IVA da electricidade e do gás?! Vou voltar para a Póvoa de Varzim e ter uma conversa com as sardinhas… debaixo de água… por tempo indeterminado!
Outubro: Lembram-se daquele discurso do senhor primeiro-ministro sobre qualquer coisa como iscas de fígado e anúncio das medidas de austeridade para 2012? Foi em Outubro. Para quem não se lembra, não faz mal, continue a beber o champanhe.
Novembro: “Jovens portugueses começam a beber cada vez mais cedo”. A isto se chama: beber para esquecer.
Dezembro: Pois, chegamos a Dezembro, meus caros. Cansados de ouvir falar da troika, das intimidades do José Castelo Branco e da Casa dos Segredos. Se sobrevivemos a tudo isto, venha 2012 e um discurso do Marques Mendes. A gente aguenta!
Até para o ano, queridos leitores!
As gentes do povo costumam dizer, em termos pouco médicos, que “apanham” as doenças. Ora se “apanha uma constipação”, ora de “apanha uma anemia”. Pois bem, foi a minha vez de “apanhar” qualquer coisa como a mania das grandezas, que não sendo uma doença, por vezes pode ter efeitos mais nefastos, e colocar um tigre no Pseudópodes. É pacato, poder-se-ia até chamar “Gugu” ou “Xuxu”. Disse-me, no entanto, que ser pacato não é ser saloio, por isso deixei-o chamar-se de Conde Leucócito II. Cuidado com as festinhas e nada de lhe dar amendoins, faz-lhe mal ao estômago.